domingo, 4 de dezembro de 2016

Quirino: A Cabine do Tempo, na Rua Geru, em Aracaju


Fotos: Miss Check-In/Anna Guimarães.

Miss Check-In | Por Anna Guimarães, em 7 de janeiro de 2016

Quirino: A Cabine do Tempo na Rua Geru - Aracaju. 
Por Anna Guimarães | Miss Check-in.

No caminho para o centro da cidade, na quadra desenhada pelo encontro das ruas Geru com Lagarto, uma portinha simplória, aberta há mais de 40 anos, toca músicas antigas em alto volume.

Seguindo a trilha sonora – que vai de Altemar Dutra a Blitz – fui magneticamente atraída pela atmosfera dos anos 80 espalhada entre vinis e fitas, tocando histórias guardadas na minha memória afetiva. Descobri, então, meu lugar preferido nas manhãs de sábado: o banquinho da paciência na Loja do Quirino.

Passo horas nesse banquinho procurando vinis antigos. Assim como passava horas viajando nos vinis do meu pai, fascinada com as imagens dos encartes.

Com o tempo, os vinis foram embora e o chiadinho das músicas da minha infância ficou esquecido naquele cantinho de saudade onde guardamos os pequenos e saborosos detalhes do começo das nossas vidas.

A loja do Quirino trouxe tudo de volta. A R$1,00 – a fita cassete ou vinil – com R$20,00 fui de ‘É proibido fumar’ (1964) até o hit do Menudo, ‘Não se reprima’ (1984).

O comércio compra e vende discos e fitas. Os discos velhos, aqueles que a ‘mãe’ não quer mais ou o ‘pai’ quase joga fora? Leva no Quirino que ele compra. Como resultado dessa ‘troca’, várias histórias vão se amontoando no meio dos LPs, em rabiscos de afeto nas dedicatórias que acompanham os discos

E as capas e encartes continuam sendo uma viagem, retratos das gerações embaladas por aquela meia dúzia de faixas em cada lado do disco.

O Quirino é um alagoano de Penedo que começou a trabalhar aos 10 anos, caçando passarinhos.  Conta com orgulho que é bisneto de escravos, citando que sua avó, Marcelina, foi agraciada pela Lei do Frente Livre(1871). Sorriso largo e uma disposição invejável, dessas pessoas cheias de vida.

Eu saio de lá sempre uns quarenta anos mais pesada… Feliz da vida. Uma vermelhinha aqui em casa não abre mão dos meus achados na cabine do tempo do Seu Quirino.

Endereço: Rua Geru, n° 345, no trecho entre as ruas Lagarto e Capela.

Texto e foto reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

Praça Assis Chateaubriand, a popular Praça do Galego, em Aracaju

Foto: Google Maps/Google Earth

Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 11 10/2016.

Senta que lá vem história, por Osvaldo Ferreira Neto.

Praça Assis Chateaubriand, a popular Praça do Galego.
Por Osvaldo Ferreira Neto.

A Praça Assis Chateaubriand é uma praça muito conhecida pelos aracajuanos, mas não por sua toponímia correta e sim pelas populares. A praça tem vários nomes populares: Praça do “Haiti”, por ter uma loja famosa de vestidos de noivas nas proximidades com o nome do país caribenho; Praça do “English Planet”, por nela localizar a escola de inglês citada; Praça do “Açaí Aju”, por nela ficar um estabelecimento de lanches e açaí na tigela famoso em nossa capital. Porém, o mais famoso termo para o logradouro é a Praça do “Galego”, pois há mais de 15 anos existe uma famosa lanchonete de Aracaju, o Galego Lanches, que é conhecido por todos e todas por seu molho saboroso, seus sanduíches  e o atendimentos até altas horas da madruga, matando a fome de inúmeros festeiros de nossa cidade, principalmente nos grandes eventos de nossa terra. Mas o nome correto é Praça Assis Chateaubriand. Quem foi Assis Chateaubriand? E por que esse nome?

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, nasceu em Umbuzeiro-SP, em 4 de outubro de 1892, foi um jornalista, empresário, mecenas e político, destacando-se como um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e 1960. Foi também advogado, professor de direito, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras.

Chateaubriand foi um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, dono dos Diários Associados, que foi o maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência telegráfica. Ele foi o primeiro monopolizar a mídia do nosso Brasil. Também é conhecido como o cocriador e fundador, em 1947, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), junto com Pietro Maria Bardi, e ainda como o responsável pela chegada da televisão ao Brasil, inaugurando em 1950 a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi.

Foi Senador da República entre 1952 e 1957. Uma figura polêmica e controversa, odiado e temido, Chateaubriand já foi chamado de “Cidadão Kane” brasileiro, e acusado de falta de ética por supostamente chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e por supostamente insultar empresários com mentiras, como o industrial Francisco Matarazzo Jr.. Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos, incluindo uma proximidade tumultuada porém rentosa com o Presidente Getúlio Vargas.

Em fevereiro de 1960, Assis Chateaubriand foi acometido de uma trombose. Morreu em 4 de abril de 1968, em São Paulo, depois da pertinaz doença, a que ele resistiu por longos anos, continuando, mesmo paraplégico e impossibilitado de falar, a escrever seus artigos. Foi velado ao lado de duas pinturas dos grandes mestres: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir, simbolizando, segundo seu protegido, o arquiteto italiano e organizador do acervo do MASP Pietro Maria Bardi, as três coisas que mais amou na vida: O poder, a arte e a mulher pelada. Seu cortejo fúnebre reuniu mais de 60 mil pessoas pelas ruas de São Paulo. Está sepultado no Cemitério do Araçá na cidade de São Paulo.

No mesmo ano da morte de Assis Chateaubriand, o prefeito nomeado pela ditadura José Aloísio de Campos determinou o nome do triangular espaço público entre as rua Construtor João Alves, Américo Curvelo, Professor Figueiredo Martins e Urquiza Leal no bairro Salgado Filho passeasse a se chamar Praça Assis Chateaubriand, através da Lei n. 45/68 de 29 de novembro de 1968. Logo no início a praça era um descampado cercado de sítios e poucas casas. Um local ermo que só terá feições de uma praça pública na gestão de outro prefeito biônico da ditadura, o Cleovansóstenes Pereira de Aguiar em 1972 e só recebendo outra reforma já na gestão do prefeito José Almeida Lima em 1996, reforma essa que determina os traços paisagísticos que a praça tem hoje.

Agora já sabe um pouca da história da praça e de seu nome ao usufruir deste espaço público tão famoso no Centro-Sul da nossa cidade.

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

domingo, 27 de novembro de 2016

João Firmino Cabral



Publicado originalmente no site do Portal Infonet/Cultura, em 21/08/2003.

“O cordel mais que encantado do sergipano João Firmino”.
Por Najara Lima.


“Aqui nesta barraca ninguém tem prejuízo, porque ler não é prejuízo. Ler é cultura”. É assim que João Firmino Cabral chama as pessoas para conhecerem o que há de melhor em literatura de cordel. E quem por ali chega, encontra um vendedor diferente. Ele recita versos e conta histórias, com a sabedoria de um ancião e a alegria de uma criança. Além de fazer da venda dos “folhetos de feira” o seu meio de vida, há 46 anos ele faz do cordel a sua arte. Bastante premiado no país, o cordelista já recebeu prêmios inclusive das mãos do ilustre pernambucano Ariano Suassuna. Para o cordel de João Firmino não há fronteiras. Suas obras podem ser encontradas fora do país, circulando inclusive no meio acadêmico. A Universidade de Nova Lisboa, em Portugal, e a Biblioteca Universitária de Versalhes, na França, exibem obras desse cordelista itabaianense tido como um dos melhores do Brasil em seu estilo literário. Sem nunca ter frequentado uma escola, ele começou a fazer cordel aos 17 anos de idade, espelhando-se em Manoel D´Almeida Filho, seu grande mestre. Em 1957, na cidade de Alagoinhas, João Firmino lançou seu primeiro trabalho. Um folheto com oito páginas, intitulado As bravuras de Miguel, o valente sem igual. “Este meu livro foi cheio de falhas, assim como todo primeiro trabalho”, afirma ele. Seu mestre, Manoel D´Almeida, gostou muito da obra, apesar de apontar-lhe alguns defeitos, inclusive de métrica. Mesmo assim, o cordelista não desanimou e continuou a escrever. A última carta do padre Cícero Romão, seu segundo trabalho, tornou-se um grande sucesso por suas várias edições. A este livro, seu mestre deu nota dez, e afirmou que João seria seu sucessor. “Nunca pensei em ser sucessor de alguém. Cada um tem seu jeito, seu trabalho”, declara ele. O autor se queixa da falta de interesse pela literatura, em especial pela literatura de cordel. E culpa os meios de comunicação por isso. “Hoje o cordel não tem mais a afluência que já teve em sua época áurea. O povo tinha muito desejo de ler o livro. O livro era a diversão, a novela da época. Mas antes não existia a TV, e mesmo o rádio ainda tinha pouca expressão”, contesta João Firmino. Para ele, até mesmo os estudantes lêem forçosamente. Se lerem, não o fazem porque gostam, e sim em troca de algum benefício concedido pelo professor. “Hoje ninguém tem tempo para ler. A TV toma o tempo das pessoas”, diz ele. Casado há 37 anos com dona Carmelita Cabral, ele tem sete filhos e cinco netos que, apesar de gostarem muito de ler, não quiseram seguir os passos do pai. “Não basta querer ser cordelista. Esse dom não se compra, se recebe de Deus”, explica João. Referência para os que passam pelo Mercado Albano Franco, seu João Firmino ocupa hoje um espaço cedido pela Funcaju juntamente com a Emsurb. Sua banca faz sucesso com os turistas, que param para comprar e acabam desfrutando da sabedoria do maior cordelista do Estado. Apesar de amar sua terra, João afirma que o valor atribuído ao cordel, em Sergipe, é muito menor que o merecido. “Hoje quem mantêm minha banca são os turistas, não são os sergipanos”, declara. João Firmino afirma que só quem tem conhecimento sabe dar valor ao cordel. Hoje ele serve de modelo para muitos cordelistas sergipanos, a exemplo de Zé Antônio e Gilmar Santana, que na revisão poética de suas obras, sempre recorre ao mestre. Indagado sobre sua relevância no Estado, ele demonstra uma humildade sem igual. “Não sou maior nem melhor do que ninguém. Sou apenas aquilo que Deus quis que eu fosse”, afirma. Ele orienta os mais jovens quanto a essa humildade que, segundo ele, deve ser sempre conservada. Sobre isso, ele gosta de lembrar um versinho que, quando criança, ouvia de sua avó. “Quem aos altos quer subir e as nuvens quer pegar, as estrelas vão sorrir da queda que vai levar”. Foi a humildade e a sabedoria que fizeram de João Firmino um dos cordelistas mais respeitados do Brasil. Aos 63 anos, ele permanece de segunda a sábado, das 08h30 às 16h30 em sua banca. Lá ele vende o que há de melhor em literatura de cordel, expondo sua obra e conservando uma parcela valiosa da nossa cultura. Com 50 trabalhos publicados, o cordelista, que vê no cordel a razão de sua vida, é um nome a ser imortalizado na história sergipana.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

sábado, 26 de novembro de 2016

O Bonde na Literatura Sergipana, por Amâncio Cardoso



Imagens para simples ilustração de artigo, postado por MTéSERGIPE.
Créditos das Imagens - Pesquisador norte-americano Allen Morrison,
de New York/EUA (Reproduzidas do site: novomilenio.inf.br).
..............................................................................................................
Nas fotos, bondes elétricos circulam pelas ruas da capital sergipana no início do século XX. Aracaju foi a última capital estadual no Brasil a instalar bondes com tração animal e também a última a contar com bondes elétricos, 
sendo também a única cidade sergipana a ter bondes.
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Publicado originalmente no Blog Primeira Mão, em 27/12/2015.

O Bonde na Literatura Sergipana
Por Amâncio Cardoso.[1]

Ao prof. Francisco José Alves (UFS-Dept. História),
por me apresentar o bonde na literatura.

Houve um tempo em que o aracajuano andava de bonde. Entre 1908 e 1925, os puxados por burros; e entre 1926 e 1951, os bondes elétricos.
Os bondes deixaram fundas marcas na vida e na memória dos citadinos. Isto se expressa, sobremaneira, nos escritos literários que evocam os antigos veículos; textos que apresentam o tempo dos bondes em Aracaju de forma lírica, saudosista, realista e até satírica. São sonetos, quadras, crônicas, monólogo e memórias. Estas obras rememoram aquele meio de transporte que mudou hábitos e estabeleceu costumes.
Iniciemos com a visão lírica e saudosista expressa por Jacintho de Figueiredo (1911-1999), publicada no livro Motivos de Aracaju, em 1955; uma homenagem, em versos, aos 100 anos da capital. O primeiro poema é “Crônica”. Nele, o poeta lembra com lirismo e saudade os bondinhos de tração animal na sua pitoresca lentidão, vencendo dunas e apicuns da antiga e tranquila Aracaju. Leiamos: “Os bondinhos de burro... – que poesia! .../ “Fundição”, “Santo Antônio”, “Circular” .../ Tempo feliz aquele! Não havia/ Essa pressa da hora de chegar! .../ (...)/ Mas a cidade, aos poucos, foi crescendo .../ Transpondo as dunas, apicuns vencendo,/ Tornando imprescindível a condução./ E em consequência, pelas ruas,/ Que ao tempo do bondinho eram tão nuas .../ Não mais aquela placidez de então!”.[2]

O segundo poema é “O Último Bonde”, no qual Figueiredo refaz o trajeto do bonde elétrico que rodava até 11 horas da noite, entre os bairros Santo Antônio e Fundição (final da atual avenida Ivo do Prado), e se recolhia no Aterro do Tecido (atual avenida João Rodrigues); onde se encontrava a garagem e a casa de força que transmitia energia aos bondes da E.T.E.A. (Empresa de Transportes Elétricos de Aracaju). Eis as duas últimas estrofes: “O último bonde, como era chamado,/ Vinha do Santo Antônio, acelerado,/ Fazendo a volta pela Fundição;/ Rua da Frente, Aterro do Tecido,/ Em busca do repouso merecido,/ Depois de percorrer léguas de chão”.[3]

É sintomático que o bonde seja o único tema abordado por duas vezes num livro de homenagem ao centenário de Aracaju. Assim, vê-se como o velho transporte tinha importância na vida da cidade e na sensível alma do poeta.
Mas o bonde não foi objeto apenas da poesia lírica. Poemas satíricos aparecem nos jornais. Em 1926, por exemplo, um certo “Léo” escreve cinco quadras (estrofes de quatro versos) satíricas sobre os defeitos e descarrilamentos dos novos elétricos: “Engasgado traz antonte,/ Na rua de Itabaiana,/ Encontrava-se um bondão,/ Da boa dona ÉTÉANA!.../ Trepados por sobre o cujo/ Os pobres dos condutores/ Gritavam desesperados:/ Que bondes encrencadores!/ (...) /Quando menos se esperava/ Um Jones apareceu,/ Que é isto, meus rapazes?!/ O que foi que aconteceu?/ - O bonde pulou da linha,/ E o arco se arrebentou!.../ Vosmecê seu Jone, vá/ Chamar seu Jone doutô!...”.[4]

“Boa Dona Étéana” é a ETEA, empresa que operava os bondes elétricos à época, como vimos. Os condutores eram funcionários que faziam cobrança das passagens e os “Jones” é uma alusão jocosa aos sócios proprietários da ETEA, João Campos e João Andrade. Um deles, se arvorava de engenheiro para consertar os bondes, mas o acusavam de não ter formação para tal, daí a alcunha irônica de “Jone doutô”.
A sátira se justificaria porque os sócios da “boa Dona Étéana” teriam sido privilegiados na concessão dos serviços dos bondes elétricos da capital pelo então governador Graccho Cardoso (1874-1950), que se tornara inimigo político tanto do diretor do Sergipe-Jornal, onde se publicaram as quadras, o deputado federal Antônio Batista Bittencourt (1893-1940); quanto do ex-governador, senador e líder do Partido Republicano, Pereira Lobo (1864-1933). Batista Bittencourt e Pereira Lobo fizeram pesadas críticas ao governo Graccho, de 1922 a 1926. Dentre elas, acusavam de corrompido o contrato de concessão dos serviços de bonde; o que motivou graves denúncias e sátiras políticas em diversas edições do Sergipe-Jornal controlado por eles.[5]

Ainda no campo da sátira, encontramos o monólogo “No bond”, publicado no jornal humorístico “O Espião”, editado em Aracaju de 1909. O autor, José Rodrigues Vianna, recitou os versos no Teatro Carlos Gomes (depois Cine Teatro Rio Branco, no centro da capital), trajando a farda dos condutores de bonde.
Rodrigues Vianna era diretor da Companhia Dramática, Lírica e Cômica, e fez diversas apresentações no antigo teatro. Seu monólogo faz o caminho inverso das reclamações neste serviço, pois eram comuns denúncias dos passageiros contra os condutores. Mas aqui temos um raro momento em que o condutor expõe, com humor, as desventuras de sua faina contra os passageiros. Dentre elas se destacam
- a cobrança do fiscal: “N’um bond cheio de gente/ Faço a cobrança geral,/ Destaco cupons a ufa/ Quando me surge o fiscal/ Tomando no assentamento/ Depois de várias contagens/ Sempre nos diz: Condutor;/ Olhe, faltam três passagens”.
- a solicitação de parada longe do ponto: “Não é só. Qualquer velhusca/ Quando lhe dá na ideia/ Manda parar de Palácio/ O bond lá na Cadeia”.
- o ensino aos idosos a pongar (subir no bonde em movimento): “Inda é preciso que a gente/ Cortês se faça mostrar/ Em ensinar à velhusca/ Como se deve ... trepar”.
- o não pagamento da passagem por algum malandro: “Qualquer pelintra querendo/ uma passagem engolir/ Pergunta com a cara dura:/ Condutor já vai partir?/ Ao nosso sinal se trepa/ Com a maior descaração.../ Mas quando o cobre pedimos/ Nos responde alevantado:/ Condutor, não seja ousado/ Deixe de amolegação!”.
Por tantos dissabores, o condutor por fim desabafa: “Não posso mais esta vida,/ Muita desventura esconde/ Por isso não quero ser/ Condutor, jamais de bond./ Vou entregar o apito/ Sacola, cupons e prego/ E com o doutor Venâncio/ Renovamente me emprego”.[6]

Saindo dos versos e passando para prosa, temos a crônica “Os Bondinhos” do professor e magistrado Bonifácio Fortes (1926-2004), publicada no Sergipe-Jornal em 1950; nos últimos suspiros dos bondes aracajuanos. Assim, todo o texto é um lamento por conta da iminente extinção dos “bondinhos” na capital. Por isso, escreve o autor, a cidade perdera seu “sentido poético”. O título da crônica no diminutivo já exprime certo afeto pelo veículo. Prova disso é que Bonifácio Fortes personifica os bondes, chamando-os de “heroicos bondinhos”, pelo fato de rodarem mais horas que o de outras cidades em ruas arenosas e de não terem seu maquinário renovado. Aracaju sempre possuiu os mesmos dez bondes elétricos e um reboque, desde 1926 a 1951, período em que o número da população aumentou significativamente.
Vamos a um trecho da crônica: “Heroicos bondinhos de Aracaju, infatigáveis veículos que giravam desde as seis horas da manhã até as 11 da noite, quase sem paradas, subindo a poeirenta rua do Bomfim ou as constantes areias da Pedro Calasans”. Em outra passagem, Bonifácio Fortes revela o amor dos aracajuanos pelos bondes: “O aracajuano ama os bondinhos no que eles têm de mais pitoresco, no que eles oferecem de mais anedótico, no seu próprio inconforto e vagareza”.[7]

Encontramos outras crônicas, mas agora numa página clássica de nossa literatura, “Roteiro de Aracaju”, de Mário Cabral (1914-2009), com primeira edição de 1948. O livro reúne diversas crônicas sobre a cidade, formando um guia sentimental. Extraímos duas em que os bondes são personagens principais.
Na primeira, “Os Transportes”, apesar do título Cabral aborda apenas sobre os bondes a burro e elétricos; deixando de lado outros meios. Fica patente, mais uma vez, como os bondes vincaram a memória dos escritores. Ele relembra linhas, trações, defeitos, horários e superlotação. Escreve: “Mesmo assim os bondes andam superlotados, gente em todos os lugares, pendurada dos lados, gente equilibrada, atrás, sobre o dorso do engate”.[8]

Ao contrário da primeira, a segunda crônica, “Os Bairros”, destaca o romântico passeio de casais de namorados nos bondes. Cabral relembra o “bonde dos namorados” que passava pelas fábricas do bairro Industrial, onde rapazes, inclusive o autor, esperavam a saída das operárias para levá-las nos bondinhos. Vejamos uma passagem: “Ali é Piturita que toma o bonde. Mais adiante é Neto, é Walter, é Armando da Farmácia, sou eu próprio, é mais meia dúzia de namorados. E o bonde segue dançando, aterro afora, rumo da cidade, cheio de namorados, exclusivamente de namorados”.[9]

Saindo da crônica passemos para memorialística; outro gênero literário que tomou o bonde de Aracaju como tema. Levantamos dois autores, Genolino Amado (1902-1989) e Murilo Melins (1928- ).
O imortal da Academia Brasileira de Letras, Genolino Amado, escreveu “Um menino sergipano” em 1977. Um dos capítulos de suas memórias (passadas na cidade natal, Itaporanga, e em Aracaju) se intitula “O Bonde”. Ele remonta ao tempo dos bondes puxados a burro em Aracaju. Na primeira frase sentencia com pilhéria: “Na terra dos inteligentes, bonde de burros”. Alude à plêiade da inteligência nacional nascida em Sergipe como Tobias Barreto (1839-1889), Silvio Romero (1851-1914), Manoel Bomfim (1868-1932), Fausto Cardoso (1864-1906), João Ribeiro (1860-1934), Gumercindo Bessa (1859-1913), Felisbelo Freire (1858-1916), entre outros.
Embora inicie com um chiste, o texto de Genolino é atravessado por líricas memórias dos bondinhos de tração animal. Escreve que o veículo foi um de seus “deslumbramentos” quando aportou em Aracaju ainda menino. E afirma que “a qualificação há de parecer excessiva, mas quem é pequeno engrandece as coisas. E aquele bondinho me maravilhou”.
Conta Genolino que o que mais o “encantou” não foi o bonde comum, mas o bonde especial, exclusivo do presidente (atual governador) do Estado. Relembra embevecido: “Era o bonde especialíssimo do Presidente, que, em noites de verão, nele passeava com algumas excelências da sua roda. Sem os bancos duros do bonde plebeu, tinha jeito de um pequeno salão, paródia de carro pullman, com poltronas de vime e iluminação que me parecia feérica. Dava gosto olhar. Dava também inveja. Que beleza!”.[10]

Outro memorialista dos bondes de Aracaju é Murilo Melins. Suas memórias evocam os bondes elétricos nos idos de 1940. Elas foram publicadas no livro “Aracaju romântica que vi e vivi, anos 40 e 50”, cuja primeira edição é de 1999. Assim como Mário Cabral, ele dedica aos bondes dois textos, quais sejam “Bondes” e “De bonde para o Bairro Industrial”.
Em “Bondes”, o autor apresenta fotos dos veículos e da usina geradora de energia que movia os vagões. Ele Confirma a procedência alemã dos elétricos de Aracaju. Nossos bondes foram comprados à fabrica Van der Zypen & Charlier, na cidade de Köln (Alemanha).[11]

Melins segue descrevendo os vagões, o funcionamento e as linhas, além da tripulação (motorneiro e condutor) e funcionários da empresa (limpadores de trilhos). O autor tem uma prosa graciosa e leve. A exemplo do trecho em que a empresa, para justificar a paralisação dos bondes por falta de energia, dizia em nota que havia quebrado o eixo do motor; com isso Melins nos brinda com a seguinte anedota: “Conta-se que um vendedor de quebra-queixo, que era tato, passando pelo estabelecimento do Diretor da Luz e Força, anunciando seu produto, gritou: ‘quebra eixo’, omitindo o ‘Q’ devido a sua deficiência. Funcionários do Diretor levaram o pobre homem à presença do chefe, e depois das devidas explicações ele foi liberado”.[12]

No texto “De bonde para o Bairro Industrial”, Melins sugere a um amigo um passeio imaginário de bonde por Aracaju dos anos 1940. Eles partem do Centro, próximo à praça Fausto Cardoso, em direção à avenida Augusto Maynard, apreciando paisagens, monumentos, instituições, hotéis, casarios, palácios, fábricas, estação de trem, ruas e praças até chegar ao ponto final, na praia do Bairro Industrial, mais precisamente na velha construção da “Chica Chaves”, antiga moradora que emprestara seu nome ao primitivo topônimo do bairro.
Melins em suas memórias e “passeio” alude também ao “bonde dos namorados”, ao tempo em que nos informa como se fazia o retorno do bonde no fim da linha. Ouçamo-lo: “É hora de o ‘Bonde dos Namorados’ voltar. O condutor e o motorneiro viram os bancos e o arco que leva energia para o velho motor ‘Siemens’. O nosso bondinho rodará em direção ao centro da cidade”.

Aqui, neste ponto final, peço licença a Murilo Melins para encerrar esse texto com suas próprias palavras: “Vamos fazer o retorno, (...), pois o Bonde do Passado já passou, deixando apenas boas reminiscências”.[13]

Os bondes de Aracaju, como vimos, vincaram a literatura sergipana. Ele foi representado não apenas como um meio de transporte, mas também como um patrimônio sentimental da cidade. Nada se preservou dos românticos bondinhos. O tempo do bonde passou; ficaram, todavia, os registros literários.

[1] Professor dos Cursos de Turismo do IFS. E-mail: acneto@infonet.com.br
[2] FIGUEIREDO, Jacintho de. Motivos de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Funcaju, 2000. p. 31.
[3] FIGUEIREDO, Jacintho de. Motivos de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Funcaju, 2000. p. 77.
[4] LÉO. Piparotes. Sergipe-Jornal. Aracaju, nº 1.400, 18 de agosto de 1926. p. 01.
[5] Ver críticas ao governo Graccho Cardoso e ao serviço de bondes no Sergipe-Jornal de fev. de 1925 a out. de 1926.
[6] VIANNA, Rodrigues. No bond. O Espião. Aracaju, nº 37, 21 de março de 1909. p. 01.
[7] FORTES, Bonifácio. Os Bondinhos. Sergipe-Jornal. Aracaju, nº 12.477, 24 de maio de 1950. p. 04.
[8] CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001. p. 113-114.
[9] CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001. p. 176.
[10] Amado, Genolino. Um menino sergipano. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 104-105.
[11] Disponível em: <http://www.tramz.com>. Acesso em: 14 de set. 2015.
[12] MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 195-201.
[13] MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 317-322.

Texto reproduzido do site: primeiramao.blog.br

Livro sobre a história de Almir do Picolé é lançado

Foto: Fredson Navarro/G1/SE.

Publicado originalmente no site G1/SE., em 23/11/2016.

Livro sobre a história de Almir do Picolé é lançado nesta quinta
Nome do trabalho foi intitulado ‘Um Presente Secreto’.
Evento acontece na sede da Creche de Almir do Picolé, às 15h.

Do G1 SE

O livro intitulado “Um Presente Secreto”, escrito pelo poeta Euvaldo Lima, membro fundador da Academia Gloriense de Letras, cadeira n° 5, conta a história de vida de Almir do Picolé e será lançado no dia 24 de novembro, às 15h, na sede da Creche de Almir do Picolé.

Segundo o poeta Euvaldo Lima, o nome do livro foi motivado por uma situação inusitada. Ele, que desconhecia a história de vida de Almir do Picolé, depois de negar-lhe uma ajuda no semáforo e quando passou a conhecê-la, resolveu escrever um livro em forma de cordel sobre a trajetória desse homem que sempre destinou uma parte do seu salário para promover festas no Natal e no Dia das Crianças para comunidades carentes. O poeta decidiu narrar em versos de cordel a vida desse homem iluminado que aos quatro anos de idade foi abandonado e permaneceu até os 17 anos em um orfanato, mas que hoje mantém uma creche para ajudar outras pessoas.

O escritor Euvaldo Lima sensibilizou outros colaboradores e conseguiu a publicação. Desde setembro de 2014, o livro está pronto e só agora será lançado. Serão 3.000 exemplares, que serão doados nos semáforos, pois o valor de cada livro será o que cada um sentir no coração.

O lançamento acontecerá também no dia 01 de dezembro, em Nossa Senhora da Glória. Na ocasião, haverá o lançamento em praça pública e um ato solene na Câmara Municipal, com exposição de arte, apresentação do balé “Entre Olhares”, além da participação de outros membros da Academia Gloriense de Letras.

*Com informações da assessoria.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

Equipe fundadora da AMO - Associação dos Amigos da Oncologia


A AMO - Associação dos Amigos da Oncologia, está completando 20 anos de atividades, cumprindo sua missão com sucesso. A foto registra a equipe fundadora, com o seu primeiro Presidente - Silvio Renato, e a atual - Conceição Balbino, bem como alguns membros da atual equipe diretiva.

Postagem originária do Facebook/MTéSERGIPE/Lygia Prudente.

AMO comemora 20 anos de fundação


AMO comemora 20 anos de fundação.

História da AMO.

A Associação dos Amigos da Oncologia - AMO foi fundada, em 21 de novembro de 1996, por uma equipe de profissionais de saúde vinculados ao Hospital de Clínicas Dr. Augusto Leite, popularmente conhecido como Hospital de Cirurgia, e pelo grupo “Rainha da Paz” que realizava trabalho voluntário e que estava vinculado ao Serviço Social do mesmo centro de saúde.

Nessa época, a Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe – Avosos foi convidada para administrar o novo centro de oncologia do Estado, que fica numa área anexa ao Hospital de Urgência de Sergipe. A transferência desse serviço deixou um vazio na assistência à criança e ao adolescente com câncer no Hospital de Cirurgia, que foi imediatamente preenchido pelos voluntários da AMO.

Voltando ao passado...

No ano de 1996, uma junta médica sentiu muita falta dos serviços prestados pela Avosos e convidou os voluntários do grupo “Rainha da Paz”, os médicos oncologistas e as assistentes sociais do hospital para criar uma associação que prestasse assistência a pessoas com câncer sem restrição de idade, cuidando não apenas de criança e adolescente, mas também do adulto e do idoso, que são os principais públicos atingidos pelo câncer.

Colhendo os primeiros frutos

A partir de pequenas ações, a associação foi crescendo e mostrando resultados. O primeiro deles foi a aquisição de uma capela de fluxo laminar (equipamento de preparação da quimioterapia). Naquele momento, o hospital passou por dificuldades financeiras, não teve condições de comprar o material e essa era uma das condições primordiais para que o serviço de oncologia continuasse a funcionar.

Em poucos anos, a AMO ajudou a revolucionar os serviços em oncologia do Hospital de Cirurgia. Adequou todas as unidades de tratamento oncológico, o ambulatório de quimioterapia e de radioterapia, a enfermaria pediátrica, a unidade de braquiterapia, e a unidade de internamento clínico e cirúrgico Anna Maria Maynard Garcez, que foi uma das primeiras voluntárias e sócio-fundadora da associação.

Sócio-fundadores

A associação é resultado de um trabalho voluntário e coletivo. Veja, abaixo, lista com os 29 nomes dos sócio-fundadores:

Anna Maria Maynard Garcez
Ana Luiza Oliveira Ribeiro
Cândida Maria Pinheiro Torres
Elida Freire Caetano
Heloísa Castro
Josefa Costa do Nascimento
Libânia Santos Silva
Lígia Silva Santos
Lourdes Maria Sampaio Oliveira Dias
Kássia Rita Ramos Peixoto
Marileide Maciel Silva Pires de Carvalho
Márcio César Botelho do Nascimento
Marta Oliveira dos Santos
Maria da Conceição Balbino dos Santos
Maria da Conceição do Nascimento Melo
Maria do Carmo Silva
Maria do Carmo Santos Góis
Maria das Graças Prado de Araújo
Maria Inês Moreira do Nascimento
Maria de Lourdes do Nascimento
Maria de Lourdes Oliveira
Maria Lourdes Lopes
Maria Therezinha Góis de Vasconcelos
Norma Maria Ramos Pereira
Sheila Virgínia Lopes
Sílvio Renato Garcez
Sônia Vahle Franco
Verônica Passos Barboza Moura
Violeta de Lourdes Coutinho Torres Franco.

Texto e imagem reproduzidos do site: amigosdaoncologia.org.br
--------------------------------------------------------
AMO - Associacao dos Amigos da Oncologia
Rua Perminio de Souza, 270, bairro Cirurgia
Aracaju-SE. CEP 49055-530
(79) 2107-0077 amigosdaoncologia@gmail.com

AMO comemora 20 anos de fundação

Foto: Arquivo Institucional/AMO.

Publicado originalmente no site do G1/SE., em 23/11/2016.

AMO comemora 20 anos de fundação.
Baile será realizado neste sábado (26).
Los Guaranis anima o evento.

Do G1 SE

A Associação dos Amigos da Oncologia (AMO) comemora esta semana 20 anos de fundação e comemora com um Baile da orquestra Los Guaranis, no Clube do Banese, neste sábado (26). O grande presente de aniversário será o lançamento da nova marca da associação.

A assistente social Conceição Balbino, presidente de honra e executiva da AMO, não imaginava chegar aos 20 anos com uma obra assistencial tão bem consolidada e com o apoio e crédito amplos da sociedade sergipana. Segundo ela, o sentimento pelo aniversário de 20 anos é de muita gratidão.

"Há duas décadas, queríamos oferecer a mínima assistência necessária a pessoas que sofriam nos leitos do hospital com uma doença complexa como o câncer. Hoje, só temos a agradecer a Deus pela oportunidade de ajudar o próximo e à confiança depositada de cada voluntário, doador, colaborador e, principalmente, de cada assistido. O que mais doamos, aqui, é esperança e vida".

*Com informações da assessoria.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Grupos musicais sergipanos são homenageados pela Secult

Música Antiga Renantique.
Foto: Portal Infonet.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 22/11/2016.

Grupos musicais sergipanos são homenageados pela Secult
Los Guaranis, Cataluzes e Renantique foram honrados

Três grandes grupos do cenário musical sergipano foram homenageados no Corredor Cultural Irmão nesta terça-feira. Los Guaranis, Cataluzes e Música Antiga Renantique tiveram suas memórias expostas nas paredes do corredor. Renantique aproveitou para fazer uma apresentação musical e na ocasião, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) lançou editais culturais para o ano de 2017.

Confira matéria no vídeo abaixo:

Texto, foto e vídeo reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

Corredor Cultural homenageia grupos musicais sergipanos



Publicado originalmente no site Agência Sergipe de Notícias,
em 21 de novembro de 2016.

Corredor Cultural homenageia grupos musicais sergipanos.
Serão homenageados os grupos musicais sergipanos Cataluzes, Los Guaranis e Música Antiga Renantique.

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) lança nesta terça-feira, 22, às 10h30, no Corredor Cultural Irmão, a mostra “Música para Cantar, Dançar e Ouvir: Uma Celebração”. Na ocasião, serão homenageados os grupos musicais sergipanos Cataluzes, Los Guaranis e Música Antiga Renantique. Também serão lançados os novos editais para o ano de 2017. Durante o evento, que é aberto ao publico, o grupo Renantique irá se apresentar em um cortejo pelo Corredor que recebe peças do acervo pessoal dos três homenageados desta edição.

Desta vez serão destinadas menções honrosas a: José Messias do Nascimento, Maria Olívia Silveira, Domingos Félix de Santana Neto (Mingo Santana), Alexandre Conceição, Cícero Santos, João Bosco de Oliveira, Osman Carvalho Silva, Rivaldo Fonseca (Queimadinho), Valmor Antonio (Foguinho), Valter Nogueira, Alceu Monteiro da Silva (in memoriam), Roberto Alves, Fernando Menezes de Araújo, Maria Olga de Andrade, Germana Araújo, Rivaldo Dantas, Edilamar Carvalho, Juliana Almeida, Sandra Sena, Paulo César Andrade, Sr. Stênio Gonçalves Andrade e Rodrigo da J. Andrade, Ézio Déda, Eduardo Antônio Conde Garcia Júnior, Natália Vasconcellos, Emmanuel Vasconcellos, Antonio Alves do Amaral, José Alves do Amaral, Valdefrê Fraga Resende, Cláudio Miguel Menezes de Oliveira, José Oswaldo Andrade Gomes, Manoel Messias Menezes Nascimento (Pythiu) e Marcus Éverson dos Santos.

Sobre os homenageados

Grupo Cataluzes surgiu no início dos anos 80 com o show Viagem Cigana. Realizou diversos shows, participou de eventos culturais e festivais, como o I e II FSMPB, iniciativas da TV Sergipe. No concurso A música dos 145 anos de Aracaju, também iniciativa da TV Sergipe, a vencedora foi a canção Cheiro da Terra, de autoria de Cláudio Miguel. Em 2015, foi agraciado com a Medalha do Mérito Cultural Tobias Barreto, referente ao ano de 2012. É composto atualmente por Valdefrê (voz e violão), Cláudio Miguel (voz e violão), Oswaldo Gomes (voz e violão) e Tonho Amaral (voz e percussão). Da formação inicial, o único que não permaneceu no grupo foi José Amaral (voz e percussão). 2016 é o ano de celebração dos 35 anos do Cataluzes.

Los Guaranis surgiu no ano de 1963, na cidade de Lagarto. Músicos da banda Lira Nossa Senhora da Piedade, tiveram a ideia de formar um conjunto musical, tendo como sócios fundadores, os Senhores Rivaldo Fonseca; Valmor Antônio de Oliveira; Osman Carvalho Silva e Alexandre Conceição, que permanecem até hoje. Ao longo dos seus 53 anos de existência, a banda teve as seguintes denominações: Conjunto Guarani, Banda Los Guaranis e por fim, Banda e Orquestra Los Guaranis.

Música Antiga Renantique foi criado em junho de 1996. O grupo tem como objetivo executar a música da Idade Média e da Renascença da Europa Ocidental – algo inédito em Sergipe. Desde que foi criado, o grupo difunde um amplo repertório da Idade Média e da Renascença, como: Canções de Cruzada; dos Troubadours, Trouvères e Minnesingers; Cantigas de Santa Maria do rei Alfonso X, el Sábio, e Cantigas de Amigo de Martin Codax (séc. XIII); Manuscrito de Carmina Burana (séc. XII-XIV); Danças Medievais & Renascentistas; Trecento Italiano; Franco-Flamenga (séc.XV); Henrique VIII; Elizabetana; Teatro de Shakespeare e Música Ibérica do séc.XVI.

Texto e imagens reproduzidos do site: agencia.se.gov.br