quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um pouco da história do Hotel Marozzi



Publicado no blog História do Hotel Marozzi, em 19 de setembro de 2013.

Um pouco da história do Hotel Marozzi

Inaugurado em meados dos anos 30 e 34, o Hotel Marozzi viveu dias gloriosos durante seu período de funcionamento, sendo considerado por muitos anos como o melhor, o mais elegante e o mais bem frequentado hotel de Aracaju. Este contribuindo, pode-se assim dizer, para o desenvolvimento do turismo na cidade de Aracaju como também no Estado. Foi fundado pelo italiano Augusto Marozzi, abriu suas portas primeiramente nas proximidades da praça Fausto Cardoso, porém tempos depois instalou-se permanentemente na Rua João Pessoa, número 320, entre a rua São Cristovão e a Praça General Valadão. Funcionando em um prédio que foi construído em forma de castelo, com jardim que culminava nas dependências e onde deixava à disposição de seus clientes 35 acomodações além de alguns espaços para a realização de eventos. No qual, o público que costumava frequentar o hotel eram as pessoas da classe alta de Sergipe.

Serviu de cenário para a recepção de nomes importantes da época, tanto a nível estadual a exemplo de Maciel Porto, comandante do 28BC da época, quanto em nível nacional como os cantores Angela Maria e Luiz Gonzaga. Sendo também utilizado como residência por celebres sergipanos, como Pires Wynne, devido à qualidade não só dos serviços, mas também da atmosfera que referenciava o empreendimento. Servindo também como palco de reunião para clubes, como o Rotary Clube de Aracaju, de grandes festas, banquetes e comemorações. Tendo-se como exemplo o jantar que foi oferecido para o Desembargador Hunald Santaflor Cardoso pelos seus amigos e que contou com a presença de pessoas da alta sociedade, por exemplo, o General Maynard Gomes e o Dr. Jorge Campos Maynard, prefeito de Aracaju na época. O evento foi tão comentado pelos jornais que teve o seu convite publicado no Correio de Aracaju:

Convite
Os amigos e admiradores do Exmo. Sr. Desembargador Hunald Santaflor Cardoso, alegres como o regresso a Sergipe, por estes dias, desse ínclito magistrado cuja ausência, por menor que seja, é sempre lamentada por todos aqueles que, de perto, conhecem as virtudes que lhe exornam o espírito culto e boníssimo, - desejando homenageá-lo, oferecer-lhe-ão lauto jantar no Hotel Marozzi, em dia e horas que serão oportunamente marcados.

O Hotel tinha como principais concorrentes o Hotel Avenida, o Hotel Central e o Hotel Rubina, este sendo o maior e principal concorrente do Marozzi.

Devido ao reconhecimento do empreendimento perante a sociedade sergipana e as relações construídas no decorrer dos anos em que este esteve em atividade, no período da historia onde momentos de tensão eram vividos devido aos torpedeamentos dos navios de passageiros na costa sergipana, pelo submarino alemão U-507, em agosto de 1942, o proprietário do Marozzi não foi alvo de suspeitas e perseguição por parte das autoridades. Outro motivo que impediu que Augusto Marozzi fosse preso pelos alemães e tivesse que fechar o hootel foi o fato deste ter hasteado em seu hotel a bandeira do Brasil.

No entanto, mesmo tendo sido uma grande referencia no ramo da hotelaria em Sergipe, o Hotel Marozzi se deparou com o seu fechamento em 1965, devido a uma serie de fatores que o levaram a tal circunstancia, dentre estas vale salientar o fato de não ser mais tão bem frequentado quanto antes, uma vez que foi inaugurado o Hotel Palace se tornando um concorrente de peso e afetando assim na ocupação do primeiro; outro fator que determinou o fim das atividades do Marozzi se deve ao fato do imóvel não ser de propriedade do fundador do hotel, que se viu obrigado a fechar as portas quando foi notificado pelo proprietário do imóvel, da venda do mesmo. Após o seu fechamento e depois de alguns anos o prédio onde funcionava o Marozzi foi destruído dando espaço para a criação de outros prédios, como lojas para o comercio.

Devido ao fato do Sr. Augusto Marozzi depois do fechamento do hotel não ter guardado com extremo cuidado os documentos sobre a inauguração e o funcionamento do hotel, acarretou na falta de informações mais precisas sobre o Marozzi, inclusive a data certa de inauguração do hotel na cidade de Aracaju/SE.

Autores:
Nayara De Santana Cardoso
Jorge Luis Santana Luduvice
Ruth Stephany Souza Vieira
Jéssica Santos Silva
Danielle Santana Silva

Fonte: infonet.com.br/luisantoniobarreto.

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Entrevista com Maria Augusta Marozzi.

Entrevista com Maria Augusta Marozzi, filha do proprietário Augusto Marozzi elaborada pelos alunos da disciplina de aspectos históricos de Sergipe.

Qual o nome do proprietário do Hotel?
Maria Augusta: “Papai”, assim ela se referiu ao proprietário do hotel durante a entrevista, se chamava Augusto Marozzi , ele era italiano e trabalhava na embaixada do Brasil em Veneza.

Onde o Hotel estava localizado?
Maria Augusta: Segundo Maria Augusta , o primeiro hotel Marozzi se localizava na praça Fausto Cardoso no atual Tribunal de Justiça. Depois ele se instalou na rua Jõao Pessoa.

Quais personalidades ilustres frequentaram o hotel?
Maria Augusta: Eram vários principalmente os cantores como: Angela Maria Luiz Gonzaga que era o que mais frequentava, Bibi Ferreira, Emilinha Borba, Marlene .

Qual o perfil do público que frequentava o hotel?
Ela afirma que o público que frequentava o hotel eram pessoas da classe alta de Sergipe e que o Rotary Club , o qual foi fundado dentro do hotel , comemoravam festas com banquetes dentro do Hotel Marozzi. Os políticos que visitavam Sergipe também realizavam jantares no hotel por ser um dos hotéis mais bem conceituados na época.

Quais eram os hotéis concorrentes?
Maria afirma que o principal concorrente do Marozzi era o Hotel Rubina que se instalou no antigo endereço do Marozzi , Hotel avenida e Hotel central.

Quantos quartos o hotel possuía?
O hotel possuía 35 quartos e possuía o espaço térreo e o 1º andar.

Qual marco histórico aconteceu durante a época do hotel?
Segundo Augusta, depois de nascida houve a revolução de 1964 e antes disso o náufrago do navio em Sergipe atacado pelos alemães. Ela também relata que o seu pai, Augusto Marozzi foi o único europeu que não foi preso por suspeita durante esse ataque.

Qual foi o motivo do fechamento do hotel?
Maria Augusta diz que o motivo foi a venda do prédio onde se instalava o hotel. Como o imóvel onde funcionava o hotel era alugado e de propriedade da família Cruz , quando estes decidiram vender o prédio , seu pai também decidiu fechar as portas do Marozzi.

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Hotel Marozzi.
Por Luiz Antônio Barreto.

Quando cerrou suas portas, em 1965, o Hotel Marozzi já não era o melhor, o mais elegante e bem frequentado hotel de Aracaju. Já havia o Hotel Palace, imponente obra da engenharia moderna, no centro da praça General Valadão, construído pelo Governo de Luiz Garcia, em 1962, para fomentar o turismo. O Hotel Marozzi, com seus 35 quartos, e com mais de três décadas de funcionamento elegante, era uma saudade viva, encarnada na figura do seu proprietário Augusto Marozzi, um italiano de Bolonha, nascido provavelmente em 1888, filho de Eduardo Marozzi e Anunciata Calovi. Augusto Marozzi trabalhava na legação brasileira de Veneza, na Itália, quando conheceu o diplomata e escritor sergipano Ciro de Azevedo. Da amizade surgiu o convite feito por Ciro de Azevedo, para que Augusto Marozzi o acompanhasse de volta ao Brasil. Convite aceito, o mordomo italiano desembarcou no Rio de Janeiro, onde permaneceu algum tempo, até vir para Sergipe, servir no Palácio do Governo, que desde 24 de outubro de 1926 passou a ser ocupado pelo diplomata. Ciro de Azevedo, republicano dos primeiros tempos, participando do Clube Federal de Laranjeiras, foi eleito para substituir Graccho Cardoso na presidência do Estado. Gozava de bom nome e de simpatia na classe política sergipana, apesar de estar afastado do Estado, cumprindo missões diplomáticas em vários países do mundo e exercendo atividades intelectuais. Empossado, refez alguns atos do presidente anterior, mas, doente, não teve disposição para governar. Desde a posse, os afastamentos para tratar a saúde e a morte foi um período curto, de menos de um ano. Morto o presidente, o amigo italiano resolveu permanecer em Aracaju. Primeiro abriu um pequeno restaurante na rua de Japaratuba, hoje João Pessoa, no trecho entre a praça Fausto Cardoso e a rua de Laranjeiras, onde hoje está o edifício Oviêdo Teixeira. Depois montou outro restaurante, na praça Fausto Cardoso, nas vizinhanças da Recebedoria Estadual, onde hoje está o edifício Walter Franco. Por fim montou o Hotel Marozzi, na mesma praça Fausto Cardoso, no lado oposto, numa casa onde mais tarde funcionou o Hotel de Rubina e que demolida cedeu o terreno para a construção do prédio do Tribunal de Justiça, no Governo de José Rollemberg Leite. Foi, contudo, no número 320 da rua de João Pessoa que Augusto Marozzi instalou, em definitivo, o seu hotel. Era uma casa de dois pavimentos, de propriedade da família Cruz, alugada através da intermediação de Teodomiro Andrade, um dileto amigo do súdito italiano. Começava uma história de sucesso, que deu a Augusto Marozzi uma imagem de comerciante atualizado, que tudo fazia para tornar seu hotel num ponto requisitado, tanto pelos viajantes e visitantes de outros lugares, como por figuras de sergipanos, que preferiam morar no Hotel Marozzi, como o magistrado Enock Santiago, Monsenhor Doutor Alberto Bragança de Azevedo, o poeta e historiador Pires Winne, Juca Barreto, proprietário do Cinema Rio Branco, Dr. Brandão, que foi por muitos anos Secretário Geral do Tribunal de Justiça, o Comandante do 28 BC, Maciel Porto, que só saiu do Hotel para casar, dentre muitos e muitos outros hóspedes famosos. O economista e professor Nilton Pedro da Silva, vindo do Recife trabalhar em Aracaju, foi dos últimos mensalistas do Hotel Marozzi. O bom relacionamento de Augusto Marozzi o livrou da suspeição e da perseguição motivada pelos torpedeamentos dos navios de passageiros na costa sergipana, pelo submarino alemão U-507, em agosto de 1942. Corria na capital sergipana o boato de que alemães e italianos residentes em Sergipe colaboravam com os ataques das forças de Adolf Hitler, fornecendo informações pelo rádio. Tanto o Comandante do 28 BC, quanto Enock Santiago deram a Augusto Marozzi a solidariedade, evitando os constrangimentos comuns aquele tempo em Aracaju. Há quem lembre, por exemplo, que seu concorrente, Nelson de Rubina, fez tudo para evitar que o Hotel Marozzi recebesse hóspedes que buscavam, desesperadamente, pelos seus parentes, vítimas dos torpedeamentos. O Rotary Clube de Aracaju fez suas reuniões no Hotel Marozzi, desde a fundação em 1934, e até o fechamento do hotel. Também o Lions tinha os salões do Hotel Marozzi como a sede de suas reuniões sociais. Banquetes, festas, reuniões tiveram naquele hotel momentos de elegância e de bom gosto. Com o fechamento do hotel, Augusto Marrozi doou parte do mobiliário ao Convento dos Capuchinhos, por interveniência de D. Norma Tavares, esposa de Constantino Tavares. Agente consular, Augusto Marozzi tratava dos assuntos dos italianos residentes em Sergipe, como a família de Augusto Frederico Gentil, a família Fiscina, residente em Itaporanga, e outros italianos com quem mantinha amizade. Augusto Marozzi, que foi casado com Ana Heger, com quem tinha uma filha – Anunciata Amélia Marozzi – que morreu em Aracaju em 8 de maio de 1992, casou, pela segunda vez, na capital, com a sergipana, de Boquim, Alvina Batista Marozzi, com quem teve uma única filha, Maria Augusta Marozzi Cabral, nascida num dos quartos do Hotel, em 12 de julho de 1939. Além de ajudar ao pai no gerenciamento do hotel, Maria Augusta casou-se com um comerciante, Cabral, proprietário da bem transada Cantina Capri, na rua de João Pessoa, bem próximo ao Marozzi. Vítima de insuficiência cardíaca refratária, Augusto Marozzi morreu às 5:30 h do dia 1º de agosto de 1969, aos 81 anos. Residia na rua de Propriá, sobrevivia de pequena aposentadoria como comerciante. Sergipe deve reverência a esse italiano que viveu mais de quarenta anos em Aracaju, aqui fez família, aqui trabalhou, dando uma contribuição refinada, que ainda hoje é guardada na lembrança dos que conheceram o glamour do Hotel Marozzi.

Artigo publicado no dia 04/08/2004, por Luíz Antônio Barreto

Fonte: "Pesquise - Pesquisa de Sergipe/InfoNet.
Site: infonet.com.br/luisantoniobarreto

Fotos/Legendas/Créditos:
F/1 - Hotel Marozzi, na Rua João Pessoa, em Aracaju/SE.
Imagem reproduzida do blog: fotosantigasdearacaju.blogspot.com.br
F/2 - Anúncio - Hotel Marozzi.
Revista Renascença Ano II n. 09 - 1936.

Histórias do tempo do Serviço de Luz e Força de Aracaju

Foto postadada por MTéSERGIPE, a fim de ilustrar o presente artigo.
Imagem do acervo de Walmir Almeida/Eduardo Almeida

Histórias do tempo do Serviço de Luz e Força de Aracaju,
na época dirigida por Hormindo Menezes.
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Publicado originalmente no site do Jornal do Dia, em 11/11/2014.

Energia Elétrica - ontem.
Raymundo Mello*

No período de 1939 a 1945, o mundo assistiu, viveu e sofreu os horrores da 2.ª guerra mundial - o eixo (Alemanha, Itália e Japão) contra a humanidade. Conflito executado de várias maneiras, morticínio desenvolvido por terra, mar e ar. Quantos morreram na luta, jamais se saberá, as estatísticas não eram tão eficientes como são hoje e, assim, fica difícil assegurar quantas vidas humanas foram ceifadas em combates, bombardeios, naufrágios e campos de concentração - somente Judeus, estima-se em 6.000.000 (seis milhões) de vítimas. E do resto do mundo, a favor e contra, quantos morreram? Dolorosa interrogação.

Descrever o que se passou, idas e vindas das políticas, consequências da segunda guerra, não é tarefa para mim, um simples e modesto Memorialista que apenas gosta de relembrar e registrar o que ficou guardado em sua memória e, de maneira bem simples, dizer aos de boa vontade, sem preconceito, que, guerra é o contrário de paz como vida é o contrário de morte. Tratar de assunto tão horripilante deve ser cuidado dos historiadores, pesquisadores, que citam datas, efeitos, consequências, quem ganhou, quem perdeu, o que ofereceu ao mundo de positivo e negativo. Eu me limito à memória, o que vi, o que vivi, o que me contaram e merece confiança. É o que tento fazer, com simplicidade, mas com a certeza de que, qualquer falta ou aumento nas narrativas, são consequências do desejo de despertar, a partir do texto despretensioso, a vontade de se conhecer um pouco mais do que a memória registra.

Atualmente, um assunto em tela para análises, críticas, queixas ou elogios a governantes é Energia Elétrica. Pois saibam que isso é velho, tem a idade do mundo, "e Deus criou o dia e a noite" (Gn 1,14-19), não está escrito assim? Pois bem: na época da segunda guerra mundial, aqui em nosso Sergipinho, viveu-se tudo o que se possa imaginar de positivo e negativo em função da energia elétrica produzida e executada por maquinário gigante, heroicamente operado pelos trabalhadores, em vários níveis do SLFA - Serviço de Luz e Força de Aracaju.

Aliás, diga-se de passagem que o SLFA teve ganhos de valor por vários meses. Explico: no período 1942/1943 os efeitos danosos da guerra transformaram a vida dos sergipanos; nas costas marítimas do nosso estado, sem qualquer expectativa, submarino alemão (U2) passou a bombardear navios cargueiros e de passageiros que navegavam rumo sul ou norte. Foram torpedeamentos seguidos na costa sergipana de navios mercantes pertencentes às empresas Loide Brasileiro e ITA, causando prejuízos materiais incalculáveis à época e, o que é pior, fazendo centenas de vítimas, cujos corpos chegaram boiando, às nossas praias, além de alguns "felizardos" que, de um jeito ou de outro, alcançaram a terra, extenuados pelo enorme esforço despendido, em sua maioria com problemas psicológicos graves, face ao que presenciaram no momento dos naufrágios. Um período, de fato, terrível, que deixou em choque os aqui residentes, também atemorizados com a barbárie.

Por tudo isso, alguns meses de 1943 o estado foi incluído no plano nacional de Black-out. A partir de determinada hora da noite, as máquinas geradoras de energia elétrica eram desativadas e a escuridão total, escondia toda a costa sergipana, suas cidades, seus moradores. Escuridão total até o raiar do dia; qualquer candeeiro ou vela que se acendia nas casas para uma necessidade momentânea, tinha que ter proteção especial para que nenhuma claridade pudesse ser localizada por aviões e embarcações em trânsito. E o esquadrão de cavalaria da Polícia Militar, em vários grupos, fiscalizava externamente as residências, e, se em uma ou outra aparecia algum rastro de luz, por portas, janelas e telhas de vidro, a brigada da cavalaria parava em frente à casa, um militar chegava à porta, batia fortemente com o cassetete e o praça ordenava a toda voz: "apague a luz, quinta coluna - imediatamente" e, claro, logo era atendido. Quinta coluna? Quem queria ser?

Pois bem. O black-out deu lucro ao SLFA pois as máquinas geradoras paradas sofriam menos desgaste e economizavam combustível. Como diz o ditado popular, "não há mal que não traga um bem". No caso, seria melhor, é claro, que não houvesse o mal.

Várias autoridades dirigiram o SLFA por muitos anos, tais como o senhor Hormindo Menezes e o senhor Amaro, ambos, naturalmente, sofriam os xingamentos quando havia falta de energia elétrica, como se eles fossem os maiores "culpados" pelos cortes de energia; havia, inclusive, uma crítica popular que dizia: "Aracaju, cidade que seduz, de dia falta água e de noite falta luz" - isso em ritmo de samba.

Para concluir essa etapa, registro fato vivido. Nos anos 1942 e 1943, auge da segunda guerra, eu, garoto de 10 a 11 anos, participava (mais por ser irmão de João Mello do que por pendores artísticos) do grupo de rádio-teatro da Rádio Aperipê de Sergipe - PRJ-6 -, com estúdios instalados na rua Itabaianinha, defronte do cinema Rex, onde funciona, até hoje, por esforço de seus dirigentes, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, entidade de grande valor cultural, sempre disponível aos que o visita.

O grupo artístico responsável pelo setor de rádio-teatro participava como amador, não havia cachet porque as peças levadas ao ar, faziam parte do Esforço de Guerra, na maioria aplaudindo a FEB - Força Expedicionária Brasileira, incentivando apoio, economia e integração com os militares.

Eu, naturalmente, interpretava papel de criança nas peças escritas por Sales de Campos, Freire Ribeiro, Marques Guimarães e outros. Não eram apresentadas em capítulos - era uma apresentação corrida, com princípio, meio e fim, geralmente heroico e, ao som do Hino Nacional, da Independência, da Bandeira, do Soldado e também da canção "A voz do dever", de Mário Lago, interpretada pelo Sargento cantor João Mello, quase integrante do 3.º escalão da FEB - que lutou pela liberdade e a democracia, no campo que ele adotou, o campo das ideias. E ali ele era imbatível.

Como a peça era apresentada integralmente, como já disse, e os recursos de gravações eram ineficientes, tínhamos que rezar para não faltar energia durante a apresentação pois, quando isso acontecia, era reiniciada toda a apresentação. E aí, a salva de "elogios e aplausos" era para o dirigente do SLFA - "Ô Hormindo filho da p..."; "Que sacanagem de Hormindo"; "P...., precisa tirar esse cara, de energia ele não entende nada", etc... etc...

Todos riam e ficava-se na expectativa da volta da energia, e aí, o locutor de plantão anunciava: "Por motivo de falta de energia elétrica, vamos reapresentar todo o texto da peça, para que os caros ouvintes não sejam prejudicados".

E entre nós, intérpretes, bem baixinho: "Deus ajude que as máquinas aguentem, pelo menos durante a reapresentação da peça" ou, simplesmente, "Segura aí, seu Hormindo, deixa a p.... da energia funcionar", etc... etc...

Era duro ser dirigente do SLFA!

P.S. - Como cita Rangel Alves da Costa (Histórias de sol e seca - Jornal do Dia, edição de 09 e 10/11/2014), "A ficção e o Memorialismo também servem para ilustrar o drama nordestino e assim já ganharam pujança pelas mãos de Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Jorge Amado, dentre outros".

* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br

Texto reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Xilogravuristas expõem no Museu Afrobrasileiro



Fotos: Portal Infonet.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 12/01/2017.

Xilogravuristas expõem no Museu Afrobrasileiro
'Esculpir a Madeira Para a Vida Ser Exposta', é o tema

“Esculpir a Madeira Para a Vida Ser Exposta”, esse é o tema da exposição lançada nesta quarta-feira, 11, no Museu Afrobrasileiro de Sergipe, no Município de Laranjeiras. A exposição faz parte do XLII Encontro Cultural de Laranjeiras, que está sendo promovido pela Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe desde a última terça-feira, 10, e segue até o dia 14.

Na edição de 2017, a “Cantoria: da Viola ao Cordel” é o tema do Encontro Cultural de Laranjeiras. “Portanto, tivemos o cuidado de levar para o Museu Afro-Brasileiro uma exposição que tivesse uma conexão com o tema abordado no Encontro. Como a Xilo é feita na madeira e no papel com ilustrações do cordel, chamamos os xilogravuristas para levar suas xilogravuras para a exposição”, explica a assessora da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe, Eliana Borges Melo.

Segundo ela, aliada a exposição “Esculpir a Madeira Para a Vida Ser Exposta”, também estão expostos trabalhos pedagógicos de estudantes de uma escola municipal de Laranjeiras. “São alunos do professor do artista visual e professor Elias Santos. Os trabalhos deles são de muito bom nível”, afirma. Ao todo, a exposição conta com cerca de 20 obras, sendo que dessas, dez são os trabalhos pedagógicos dos estudantes.

A exposição, que acontece simultaneamente com o Simpósio do XLII Encontro Cultural de Laranjeiras até o dia 14 de janeiro, conta com obras dos xilogravuristas sergipanos Marcelo Soares, Severino Borges, Anselmo Rodrigues e Joel Dantas. “Além das obras das xilogravuristas Jacira, que pinta nas xilogravuras dela as negras mais libertas atuantes na sociedade; e Vilma, que pinta a mulher negra explorada sexualmente”, informa Eliana Borges.

Por Moema Lopes.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

Bernardino, sergipano estudioso do carro de bois.


Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 18/02/2004.

Bernardino, sergipano estudioso do carro de bois.

Um sergipano desconhecido em Sergipe.
Por Luiz Antônio Barreto.

A grandeza intelectual de Sergipe não pode ser medida apenas por uma ou duas dezenas de vultos ilustres, de biografias aplaudidas, que viveram na segunda metade do século XIX. Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, João Ribeiro, Manoel Bonfim, Justiniano de Melo e Silva, Felisbelo Freire, Maximino Maciel, Laudelino Freire, Jackson de Figueiredo, Samuel de Oliveira, Bitencourt Sampaio, Gilberto Amado e seus irmãos, Aníbal Freire, Moreira Guimarães, Visconde de Maracaju, não estão sozinhos na galeria da cultura sergipana. Outros, e muitos outros autores tomaram o mesmo caminho da geração anterior e também colocaram seus nomes em destaque, mantendo a tradição que distingue a terra pela inteligência.

Bernardino José de Souza é um desses sergipanos que Sergipe não conhece, apesar dos seus méritos, tão valiosos quanto aqueles que modelaram o seu espírito. Nascido na Fazenda e Engenho Murta, de propriedade do seu pai, Otávio de Souza Leite então município de Vila Cristina, hoje Cristinápolis, em 1884, embora Armindo Guaraná registre a data de 8 de fevereiro de 1885, estudou na Bahia, a partir de 1896, inicialmente como interno no Colégio Carneiro Ribeiro, cursou a Faculdade Livre de Direito, bacharelando-se em 1904, pronunciando o Discurso como orador da turma. Foi professor secundário, de Geografia e de História, produzindo farto material que circulou nas escolas baianas e de outros Estados brasileiros, destacando-se Limites do Brasil (1911), Corografia do Piauí (1912, publicado em Parnaíba), Por Mares e terras (1913), A Ciência Geográfica (1913), O Município de Abadia (1922), A Bahia, conferência a respeito das condições geográficas da Bahia, pronunciada em Minas Gerais e em São Paulo (1928), além de outros. Na sua vasta e diversificada obra dois títulos ganharam relevo: O Dicionário da Terra e da Gente do Brasil, que apareceu pela primeira vez em 1910, sob o título de Nomenclatura Geográfica Peculiar do Brasil, reeditado em 1917, e que, 10 anos depois, em 1927, aparecia com o título de Onomástica Geral da Geografia Brasileira; e O Ciclo do Carro de Boi no Brasil, este póstumo, editado em 1958.

Bernardino José de Souza ingressou no magistério superior, na Faculdade de Direito, tornando-se um dos mais queridos e respeitados mestres, com brilhante carreira, assumindo a Direção da Faculdade e contribuindo para a construção do prédio próprio. Também liderou a campanha para a construção do edifício do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, onde exerceu a função de Secretário Perpétuo Foi, por algum tempo, Secretário de Estado, na Bahia, Deputado Estadual e, depois, integrou o Tribunal de Contas, como Ministro, em 1937, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde morreu em 11 de janeiro de 1949.

A biografia de Bernardino José de Souza encerra uma experiência política, administrativa e intelectual que foi reconhecida pela crítica contemporânea e pela posteridade. Seus esforços como professor e como escritor, refletidos nas Memórias que apresentou nos Congressos de Geografia e de História, e nos livros que publicou dão a ele uma dimensão nacional, mesmo quando a temática esteja restrita a Bahia. O nome de Bernardino José de Souza elevou-se ao reconhecimento dos seus alunos da Faculdade de Direito, aos seus companheiros associados do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, como um modelo ainda hoje válido e a ser seguido.

Mesmo tendo deixado muito cedo a terra sergipana, aos 12 anos, Bernardino José de Souza conservou todas as lembranças do engenho Murta, e foi com essa memória que escreveu, lentamente, O Ciclo do Carro de Boi no Brasil, obra clássica, publicada como parte da comemoração dos 30 anos da fundação da Companha Editora Nacional, como o volume 15 da Coleção Brasiliana, grande formato. Sobre ele diz Anizio Teixeira:“A indomável energia de Bernardino de Souza conseguiu emoldurar um vasto painel, cheio de variantes no tempo e no espaço e transformá-lo em obra monumental de arte e de pensamento a um só tempo; inspiração para o artista e instrumento de trabalho para o cientista social.

“Os últimos anos de vida de Bernardino foram consumidos neste estudo germânico pela profundidade, e bem brasileiro nas claridades que projeta sobre aspectos da vida rural”.Para escrever o seu grande livro, Bernardino José de Souza recorreu a vários colaboradores, em diversos Estados, incluindo de Sergipe as seguintes pessoas: Antonio Leão Viana, de Aquidabã, Benjamim Alves de Carvalho, de Aracaju e da sua família, Émerson Batista de Souza, de Itabaianinha, Epifânio Dória, de Aracaju, Euclides Azevedo, de Estancia, Francisco Rosa, de Japaratuba, Gonçalo Rollemberg do Prado, de Maroim, Horácio Dantas de Gois, de Riachão, Joaquim Gomes de Almeida, de Porto da Folha, Joel Macieira Aguiar, de Capela, José Alves de Rezende, de Canhoba, José Barreto Souza, de Nossa Senhora das Dores, José Calasans, de Aracaju, José Joviniano dos Santos, de Tobias Barreto, José Melo de Menezes, de Cotinguiba (hoje Nossa Senhora do Socorro), José Sales de Campos, de Neópolis, Josias Passos, de Ribeirópolis, Manoel Emílio de Carvalho, de Lagarto, Manoel Messias da Rocha, de Campo do Brito, Marcos Ferreira de Jesus, de Simão Dias, Martinho Dias Guimarães, de Propriá, Miguel Leitão, de Darcilena, (hoje Cedro de São João), Nelson Resende de Albuquerque, de Gararu, Otacílio Vieira de Melo, de Rosário do Catete, Pedro Simões Freire, de Boquim, Tasso Garcez Sobral, de Riachuelo, Ulisses Alves de Oliveira, de Nossa Senhora da Glória, e Vilobaldo de Araújo Gois, de Indiaroba.

Com obra de tanta importância para o estudo do Brasil, como o Dicionário da Terra e da Gente do Brasil e o Ciclo do Carro de Bois no Brasil, Bernardino José de Souza deixou um nome entre os grandes de Sergipe, esquecido ou desconhecido dos seus conterrâneos, ou lembrado, algumas vezes, pela presença de sua filha, a poetisa e declamadora Seleneh de Medeiros, em recitais em Aracaju.

Fonte: Pesquise - Pesquisa de Sergipe/Infonet.

Texto e imagem reproduzidos do blog: carrodeboisgeru.blogspot.com.br

12ª edição da revista Cumbuca narra histórias dos cabarés de Aracaju


12ª edição da revista Cumbuca narra histórias dos cabarés de Aracaju.

Produzida pela Editora do Diário Oficial de Sergipe – Edise, a revista busca promover a valorização da atividade cultural.

As histórias dos cabarés que fizeram parte do universo boêmio da antiga Aracaju estão presentes na nova edição da Revista Cumbuca. O texto de Murillo Melins faz relembrar os ambientes marcados por relações sociais de prazer e alegria. Produzida pela Editora Diário Oficial de Sergipe – Edise, a Revista Cumbuca é uma publicação trimestral e chega a sua 12ª edição promovendo a valorização da atividade cultural, incentivando a difusão de ideias com a publicação de trabalhos literários e científicos.

A publicação traz diversas temáticas relacionadas à cultura sergipana, dentre elas, a história de ‘Bosco Scaffs: o vanguardista sergipano’. “O texto apresenta ao público o sergipano de Aracaju, ator, baila­rino, dramaturgo, coreógrafo, cantor, astrólogo, com­positor, artista plástico e um ser humano singular e generoso que, por 40 anos, viveu e fez história”, descrito pela atriz, bailarina e diretora teatral, Tetê Nahas.

Já em ‘Cultura no chão da praça’, o professor Dr. Claudefranklin Monteiro Santos apresenta o cenário cultural da cidade de Lagarto – concursos de poesia, festivais de música, encontros, exposições, vernissa­ges, shows, entre outros. Além disso, Antônio Saracura apresenta aos leitores três momentos na feira de Itabaiana. São poesias que tratam dos tijolos, redes e fumo de rolo.

Ainda nesta edição, o poeta e artista visual, Ronaldson Sousa retra­ta a vida e obra do artista plástico Ronaldo Gomes de Oliveira, o Caã. “Talento nato, ele é fruto de uma das mais nobres linhagens da genuí­na arte plástica já produzida em Sergipe. É essencial e espiritualmente artista, como foi seu pai, J. Inácio”, descreve Ronaldson.

Texto e imagem reproduzidos do sitedobareta.com.br

sábado, 14 de janeiro de 2017

Música para ler, ver e aprender


Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 29/07/2015.

Música para ler, ver e aprender.

Manifestações culturais tiveram seus sons descritos em palavras, transcritos em partituras e registrados em imagens.

Por: Gilmara Costa/ Equipe JC

Ensino sonoro a partir do conhecimento da diversidade de elementos musicais e extramusicais presentes nas coloridas quadrilhas juninas, no mela-mela carnavalesco de Neópolis e no tradicional Samba de Coco da Mussuca, é a proposta do livro “Educação Musical através das manifestações culturais de Sergipe”, organizado pela professora doutora Rejane Harder, da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Foram quatro anos de pesquisa com a participação de bolsistas do curso de Música da universidade para a captação de sons, imagens e conhecimento que se harmonizam em 155 páginas, possibilitando o aprendizado de 12 tradicionais expressões populares e seus variados tons que fazem a rica cultura sergipana. É uma obra para se ler, se ver, conhecer e se fazer ouvir. Isso mesmo. É que junto com o livro, foi desenvolvido o vídeo “Do Agreste ao Sertão: incursões pela música sergipana”.

“O livro é resultado do trabalho do Grupo de Pesquisa “Manifestações Musicais de Sergipe”, que, nos anos de 2010 a 2014, estudou diferentes manifestações culturais típicas deste estado, doze das quais estão retratadas nesta edição. O trabalho foi desenvolvido por dezenas de bolsistas do Curso de Licenciatura em Música UFS. Estes alunos se dividiram em duplas ou trios e alguns atuaram sozinhos. O processo de captação das informações contidas no livro e no vídeo “Do Agreste ao Sertão: incursões pela música sergipana”, que acompanha o livro, se deu através de entrevistas com os líderes e integrantes dos grupos, da assistência a ensaios e apresentações dos grupos estudados, bem como através de fotografias e da captação de áudio e vídeo. Na fase final tivemos dezenove alunos e dois professores participando diretamente da redação dos 12 capítulos e da transcrição dos áudios, bem como das sugestões de aulas a partir das manifestações musicais estudadas. Além da minha participação, contamos com a participação do professor Me. Alessandro Pereira da Silva que fez a revisão das transcrições musicais”, explicou a professora.

Bacamarteiros, do povoado Aguada; o Batalhão, de Rosário do Catete; o Samba de Coco da Mussuca; a Taieira, de Laranjeiras; as bandas marciais; o Aboio e a Toada, do município de Porto da Folha estão entre as 12 manifestações musicais presentes no livro. “Os sons estão descritos na forma de palavras, transcritos na forma de partituras e registrados em fotos dos grupos cantando, dançando e tocando seus instrumentos musicais. Ao ler o livro você pode imaginar os sons do Trio Pé de Serra, do Frevo, presente no carnaval de Neópolis, do Grupo Ilariô de Pirambu. Ainda estão presentes no livro a Quadrilha Junina, o grupo de o Grupo São Gonçalo da Mussuca e ainda as Bandas de Pífanos. Esses sons você pode ouvir no DVD “Do Agreste ao Sertão: incursões pela música sergipana” que acompanha o livro. Além disso, dezenas de músicas regionais que integram o DVD foram transcritas e suas partituras também fazem parte desta edição”, destacou a organizadora da obra.

A publicação ainda não tem data para ser lançada, mas já tem planos traçados para chegar às escolas do Estado e também em outros lugares do País. “A primeira finalidade do livro é didática, ou seja, foi projetado para ser utilizado nas aulas de Música nas escolas. Nele, contém ainda sugestões de atividades de Criação (Composição e Improvisação) a partir do material musical e extramusical apresentado. A parceria entre o livro e o DVD amplia as possibilidades de ferramentas a serem utilizadas pelo educador musical na sala de aula em atividades interdisciplinares, devido às informações histórico-geográficas apresentadas neste material didático. Estamos planejando nos reunir com o secretário de estado da Educação, Jorge Carvalho, que já nos apoiou na publicação deste livro quando esteve à frente da Segrase e também com secretarias municipais de educação visando a publicação de muitos volumes para que milhares de alunos possam ter o privilégio de entrar em contato com o mesmo. Queremos também levar o livro a encontros nacionais e internacionais de Educação Musical e outros”, disse a professora doutora Rejane Harder.

A motivação e pesquisa

Segundo a professora doutora Rejane Harder, a ideia do livro foi motivada pelo estudo de importantes filósofos e sociólogos da Educação Musical, tais como Lucy Green e Keith Swanwick, entre outros, sendo a ideia inicial era desenvolver um conteúdo programático.

“Primeiramente, nos veio a ideia de elaborar um currículo em música - uma espécie de programa em que constariam os conteúdos que ensinaríamos, em uma determinada sequência, bem como estratégias pedagógicas a serem adotadas - que fosse o mais adaptado possível aos alunos da rede pública de Sergipe. Começamos então a desenvolver uma pesquisa bibliográfica. Dentro da Filosofia da Educação Musical, as pesquisas foram fundamentadas no conceito de “Currículo Praxial” de David Elliott, de acordo com o qual o ensino de música deve ser uma aproximação de culturas musicais. O que mais nos impressionou na leitura de Elliott foram as seguintes palavras: “Um Currículo Praxial em música deve ser deliberadamente organizado para engajar estudantes em ações musicais (...) com uma íntima aproximação das reais culturas musicais. O Currículo Praxial imerge estudantes em projetos de fazer música que envolvem os padrões musicais, tradições, saberes a respeito das mesmas (...)’”, frisou.

E foi pela busca e real imersão nas manifestações de Sergipe que o livro se concretizou, possibilitando que leitores aprendam a música através das expressões culturais e que estas sejam conhecidas através da música. “Acreditamos que este material irá contribuir para que os alunos e professores da Educação Básica de Sergipe tenham um contato mais próximo com as expressões culturais do seu estado e que - considerando a importância de conectar os estudantes com as músicas das diferentes culturas do mundo, como nos ensinam os pensadores da música - o livro “Educação Musical através das manifestações culturais de Sergipe” poderá contribuir também para que professores de música e alunos de outros estados do Brasil, bem como de outros países possam ter acesso à parte da rica cultura musical do Nordeste brasileiro”, afirmou Rejane Harder.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Música Sergipana

João Melo, ainda jovem.
Jorge Bem, Moraes Moreira com João Melo.

Música Sergipana - 26 janeiro 2010.

João Melo (o cantor máximo de Sergipe).
Por Irineu Fontes.

No caminho do sucesso das emissoras de rádio do sul do País, Aracaju recebeu a primeira rádio do Estado, a PRJ6 Rádio Difusora de Sergipe, atual rádio Aperipê de Sergipe ZYD-2.

Em 07 de fevereiro de 1939, com uma programação de músicas ao vivo (tangos, sambas, maracatus, valsas, fados, rumbas, afoxés, frevos, marchas, choros e canções orfeônicas) e com a presença do grande seresteiro do Brasil Silvio Caldas , acompanhado do Regional de Carnera e Miguel Alves, foi dado início às transmissões.

João Mello, em seu livro “João Ventura - Cidadão de Aracaju”, destaca que, no elenco artístico da nova emissora, além do Regional de Carnera, havia grandes cantores e cantoras como João Lopes, Guaracy Leite França, Raimundo Santos, o conjunto vocal Águias de Bronze e o próprio João Melo. No terreno da música clássica havia o professor e maestro Genaro Pleche (que, em 28 de novembro de 1945, fundou o Conservatório de Música de Sergipe, onde iniciou suas atividades sob o nome de Instituto Orfeônico de Sergipe) e o Maestro Leozírio Guimarães.

Tínhamos de tudo que a Rádio Mayrink Veiga e a Rádio Nacional do Rio de Janeiro nos forneciam através das ondas e hertz [...] Tínhamos ate dupla de humoristas cantores: Policarpo e Pelourinho, cuja caracteristica musical dizia “Cantam no Rio de Janeiro, Alvarenga mais Ranchinho e aqui na Aperipê, Policarpo e Pelourinho”. (mello, 2005 p.60)

Alfredo Gomes, funcionário da alfândega, foi nome importante no processo de apresentação dos artistas ao público radiofônico, comenta Dilton Cândido Santos Maynard no seu artigo “Entre microfones e bastidores: Estado novo, rádio difusão e intervenção cultural em Sergipe”.
Nome importante no processo de apresentação dos artistas ao público radiofônico, Gomes escrevia sobre as atrações da PRJ-6 numa coluna jornalística, adotando o pseudônimo de Rubem Vergara. Funcionário da alfândega, ele receava ter a sua imagem prejudicada pela idéia de rádio como “coisa de malandro”, modo de pensar ainda forte nos primeiros momentos do veículo no Brasil. Assim, como Rubem Vergara. (Dilton Cândido www.seer.ufu.br).

Na função de diretor artístico da PRJ-6, Alfredo Gomes exerceu uma influência significativa no rádio sergipano, é dele a responsabilidade de vários nomes artísticos dos nossos artistas. Alfredo Gomes/Rubem Vergara respondia por muitos dos nomes artísticos e citações existentes no rádio de Sergipe dos anos 40.

É dele os títulos dados a João Mello: “o cantor máximo de Sergipe”, “o poeta seresteiro”. “Pinduca e sua radiorquestra” foi outro nome dado pelo Gomes para o Maestro Luiz d’Anunciação que, anos depois, viria a trabalhar como regente da orquestra do programa televisivo de Abelardo Barbosa, o Chacrinha.

João Mello nasceu em 24 de junho de 1921 em Salvador (BA) e, aos três anos de idade, já estava morando na cidade de Boquim (SE), vindo para a Capital sergipana nos anos 30.

Estudante do Colégio Atheneu Sergipense, recebeu a influência musical de um grande amigo, Carnera. Em um artigo no Jornal da Cidade, em 3 de setembro de 2009, o professor Dilton Cândido S. Maynard comenta sobre a amizade do João Mello e Carnera:

“Naqueles dias, outro aluno do Atheneu tornou-se amigo de João. Era um moço magro, raquítico e, irritadiço. A aparência frágil valeu-lhe o apelido mais irônico que alguém com o seu tipo físico receberia: Carnera, uma irônica “homenagem” ao boxeador Primo Carnera (1906-1967), campeão dos pesos pesados na época...”

João passou a circular nos auditórios das emissoras de rádio e pouco tempo depois se tornaria o primeiro cantor de rádio sergipano. Aos 19 anos foi para o Rio de Janeiro a convite de Sílvio Caldas e lá se apresentou pela primeira vez na Rádio Tupi, no dia 23 de junho de 1941.
Voltou a Aracaju para servir o Exército Brasileiro, sem deixar a rotina das apresentações no Rádio e nos clubes e casas da sociedade aracajuana. João se engaja politicamente e em 1950, já casado, sai de Aracaju mais uma vez e vai morar em Salvador onde conhece o compositor Codó. De lá voltou para o Rio de Janeiro e aí o compositor ganhou o mundo, com músicas gravadas por Sérgio Mendes e outros intérpretes da música brasileira.

João trabalhou durante doze anos na Companhia Brasileira de Discos que representava os discos da Phillips, Polydor e Fontana, como compositor e produtor musical, e lá lançou o artista Jorge Ben Jor. Em entrevista de 1963 para a Revista do Rádio, Jorge diz:

“Depois me fiz rapaz, deixei as brincadeiras da Tijuca e passei a freqüentar a Zona Sul. Eu gostava das praias e das boates. Fiz boas amizades e passei a freqüentar o “Bottle’s”, onde, vez por outra, me davam a oportunidade de cantar um pouquinho. Numa dessas ocasiões João Melo, que estava presente, escutou-me e fez o convite para gravar na Philips.”

Na década de 70, foi convidado para trabalhar como produtor na gravadora Som Livre. Foi lá que ele descobriu o cantor alagoano Djavan e produziu a trilha sonora da novela “O Bem Amado”, a primeira gravada em cores. No site do cantor Djavan, encontramos essa informação:

Em 1973 foi para o Rio de Janeiro onde teve ajuda do radialista Edson Mauro, que o apresentou a Adelzon Alves, que o levou para o produtor da Som Livre, João Mello que lhe deu a oportunidade de gravar músicas de outros artistas para as novelas da Rede Globo: "Alegre menina" (Jorge Amado e Dorival Caymmi), da novela "Gabriela"; e "Calmaria e vendaval" (Toquinho e Vinícius de Moraes), da novela "Fogo sobre terra".

João Melo Faleceu no dia 06 de Janeiro de 2010 em sua cidade do coração Aracaju.

Texto e imagens reproduzidos do site: cafehistoria.ning.com

Música sergipana

 Amorosa.

 Paulo Lobo.

 Erivaldo de Carira.

Clemilda.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet.

Música sergipana

Até 1970 a música popular massiva sergipana praticamente não existia. Não se produzia discos e ela se limitava a alguns intérpretes dos ritmos ouvidos em todo Brasil à época: boleros, chorinhos e muita música romântica e saudosista. Os nomes que se destacaram foram: Luís Americano, que teve seu chorinho apresentado nos Estados Unidos, e Francisco Alves, conhecido em todo o Brasil. Contudo, o forró se apresentava como ritmo que atraia o gosto popular e a iniciativa artística local. Grandes nomes forrozeiros acompanharam o sucesso do ritmo levado ao país inteiro por Luiz Gonzaga, e fizeram sucesso nacionalmente representando Sergipe. Dentre eles estão Clemilda, Erivaldo de Carira e Amorosa.

As décadas de 70 e 80 foram marcadas por grandes Festivais de Música no Brasil e em Sergipe como o Festival de Música Popular Sergipana, na década de 80 e o Novo Canto - Festival de Música Estudantil, que em 86, 87 e 88, lançou nomes como Chico Queiroga, Antônio Rogério, Sena e Sergival, Nininho Silveira, hoje Nino Karva, entre outros. A UFS promoveu em 1989 o Festival de Música Ecológica, cujo vencedor foi Nininho Silveira, e em 92, o Femufs - Festival de Música Universitária.

Os demais encontros, sendo os principais o Encontro Cultural de Laranjeiras, o Festival de arte de São Cristóvão (FASC) e o Encontro Cultural de Propriá, que biscavam dar ênfase ao folclore, às manifestações populares e à arte.

Nas décadas de 70 e 80, o principal elemento de divulgação dos músicos sergipanos foram, sem dúvida, os bares. Cada dia da semana era destinado a um barzinho.

O Canta Nordeste, na década de 1990, estimulou a produção musical de Sergipe, reunindo grandes intérpretes e compositores como Amorosa, Ismar Barreto e Patrícia Polayne.

Em nível local, o Sescanção, festival realizado pelo Sistema Fecomércio, pode ser considerado hoje o evento mais articulador da música em Sergipe.

Por Kátia Susanna com informações da ASN.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/sergipanidade/2013

Operação Cajueiro, 35 anos

Imagem postada por MTéSERGIPE, a fim de ilustrar o presente artigo.
Foto reproduzida do site: revistagambiarra.com.br

Publicado originalmente do site do Portal Infonet, em 31/01/2011.

Operação Cajueiro, 35 anos.
Por Marcos Cardoso.

A ditadura militar implantada a partir do golpe de março de 1964 atingiu o máximo da brutalidade em Sergipe com a Operação Cajueiro, assim cognominada pelo Exército. No dia 20 de fevereiro, faz 35 anos que uma força especial vinda da Bahia, sob as ordens do general linha-dura Adyr Fiúza de Castro, comandante da 6ª Região Militar, sediada em Salvador, prendeu arbitrariamente 25 sergipanos, processando 18 deles, além de processar também o então deputado estadual Jackson Barreto, que não chegou a ser preso. Essa força especial reunia elementos do temível DOI-CODI, do DOPS e da Polícia Federal e agiu em Aracaju sob as ordens do tenente-coronel Oscar Silva.

A acusação, que nem cabia a alguns deles, era de serem ligados ao proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB). A operação realizada a partir de uma tarde de 1976, véspera de Carnaval, obedecia na verdade a uma ordem nacional que era a de acabar com o Partidão, a exemplo das demais siglas clandestinas. No bojo desse recrudescimento da onda anticomunista, foram assassinados nas celas do DOI-CODI, em São Paulo, o jornalista Wladimir Herzog, em outubro de 1975, e o operário Manuel Fiel Filho, em janeiro de 1976.

“Em início de 1976, enquanto as demais organizações de esquerda estavam praticamente desativadas (o PC do B havia sido vencido na sua experiência no Araguaia em 1974), o PCB, além de possuir representantes na Assembléia Legislativa (Jackson Barreto) e na Câmara de Vereadores (Jonas Amaral), praticamente controlava o Sindicato dos Petroleiros, o Sindicato dos Bancários, alguns centros acadêmicos da UFS e o DCE. Tinha militantes ativos junto aos trabalhadores rurais e exercia alguma influência em diversos órgãos da sociedade civil e do Estado. Nas circunstâncias de então, era uma presa invejável para qualquer sigla clandestina, fato que os militares não ignoravam. Daí a intensificação das perseguições”, conta o historiador Ibarê Dantas, em A Tutela Militar em Sergipe – 1964/1984.

Dentre os presos em Sergipe estavam pessoas hoje conhecidas, e vivas para contar a história, como os ex-vereadores Antônio Góis, Marcélio Bonfim e Rosalvo Alexandre, o aposentado da Petrobras Milton Coelho — que ficou cego devido à pressão da borracha que lhe vendava os olhos —, e o advogado Wellington Mangueira. Este, ainda debilitado por torturas e sevícias que sofrera ao lado da mulher, Laura Marques, em 1973, foi um dos primeiros a serem soltos, supostamente após assinar uma carta renegando a doutrina do comunismo — coisa que ele garante jamais ter feito. O fato, a soltura de Wellington uma semana depois de iniciada a Operação Cajueiro, resultou em acusações injustas que até hoje alguns insistem em imputar contra ele, como a de ter sido colaborador dos militares. Os advogados Carlos Alberto Menezes e Elias Pinho de Oliveira teriam sido presos por engano.

Nos mesmos dias das prisões, que se prolongaram até 23 daquele mês, os presos eram encaminhados para o 28º Batalhão de Caçadores. O comandante do quartel, o coronel Osman de Melo e Silva, havia sido afastado pelo general Fiúza de Castro, um explícito defensor da tortura que queria que seus homens ficassem à vontade para “trabalhar”. “Entre os depoimentos dos militares, colhidos pelos pesquisadores do CPDOC e publicados em três volumes, ninguém defendeu o uso da tortura de forma tão explícita como ele”, diz Ibarê Dantas. O historiador recorda o que aconteceu nos porões do 28° BC:

“No Quartel, segundo depoimentos de alguns deles, colocavam um capuz que pressionava fortemente os olhos com borracha, despiam-no e, algum tempo depois, vestiam um macacão. Submetiam a exame médico, trancavam numa cela incomunicável, e realizavam os interrogatórios entremeados de torturas, cujo nível dependia do estado de saúde e da capacidade de resistência do indivíduo (uma das curiosidades dos inquisidores era detectar onde se realizavam as reuniões clandestinas, para respaldar a acusação). Alguns que reagiram à prisão já foram recebidos debaixo de tapas. Quase todos teriam sofrido pancadas na cabeça, ‘telefones’, choques nas partes mais sensíveis do corpo, da língua aos testículos, bem como tentativas de afogamento, golpes na altura dos rins de ambos os lados do corpo, entre outras sevícias (alguns sergipanos teriam participado ativamente dessas operações, entre os quais o capitão Morais e até juízes de futebol ligados ao Exército: Siqueira, Barreto Góis, Cruz e Sargento Souza). Decorridos cerca de cinco a sete dias de padecimentos, os prisioneiros puderam comunicar-se com os colegas. Um deles, Milton Coelho de Carvalho, quem mais resistiu às torturas, quando lhe foi retirado o capuz, além das marcas de ferimento no rosto, comum a quase todos, estava com deslocamento incurável de retina. As três cirurgias posteriores a que foi submetido e os tratamentos demorados jamais lhe restituíram a visão.”

Em maio de 2009, a Caravana da Anistia do Ministério da Justiça julgou, na sede da OAB em Aracaju, 34 processos de sergipanos que se declararam vítimas do regime militar: 22 processos foram deferidos, as vítimas declaradas anistiadas e o presidente da Comissão de Anistia, em nome do Estado brasileiro, desculpou-se pelo sofrimento causado a cada um desses cidadãos que ousaram lutar pela democracia. Dezoito anistiados tiveram reconhecido o direito de serem indenizados ou de terem corrigidas indenizações anteriormente conquistadas. Um deles foi Antônio José de Góis, o Goizinho, que ficou decepcionado com a indenização de R$ 55.800. Preso na Operação Cajueiro, Goizinho foi torturado e permaneceu 21 dias encarcerado.

A Operação Cajueiro, passados já 35 anos, não deve ser lembrada como motivo de comemoração. Mas também não deve ser esquecida. Como uma ferida incurável que dói, deve ser rememorada por toda a vida. Para que arbitrariedades como essa jamais voltem a se repetir. Sob nenhum pretexto.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/marcoscardoso

Origem de alguns apelidos de bairros, vias e parques da capital

Luiz Antônio Barreto (Foto: Alejandro Zambrana).

Publicado originalmente no site Archive.is, em 06/03/2009.

Conheça a origem de alguns apelidos de bairros, vias e parques da capital

Em 154 anos de história, a capital da qualidade de vida passou por incontáveis mudanças. Novas ruas, praças, avenidas, novos bairros e monumentos. A cidade mudou, se modernizou, mas alguns costumes do povo aracajuano permanecem até hoje. Um dos hábitos comuns é chamar algumas localidades por nomes não-oficiais.
Alguns pontos da cidade tiveram seus nomes modificados - seja para homenagear algumas personalidades importantes, seja para caracterizar melhor a cidade -, mas continuam conhecidos por seus antigos apelidos. Muita gente nem sabe, por exemplo, por que chama a Avenida Edésio Vieira de Melo de ‘Avenida da Explosão' ou o Parque Augusto Franco de 'Sementeira'.

Sementeira.

Referência na cidade quando o assunto é lazer, o Parque Governador Augusto Franco, hoje é um local aprazível para caminhadas, ciclismo e piqueniques, em contato direto com a natureza. Toda aquela área, tão verde e arborizada, recebe o apelido de ‘Sementeira' por uma razão especial, como explica o pesquisador e historiador Jorge Carvalho.
"Tanto o parque, como toda a região onde hoje é o bairro Jardins Jardins era, na verdade, um grande campo de cultivo, o Campo de Sementes, já que essas áreas da cidade ainda eram zonas rurais", conta o pesquisador. A época a que ele se refere era a década de 30 e o cenário, os atuais bairros Jardins e Treze de Julho.

Criado pelo Ministério de Agricultura, o Campo de Sementes de Aracaju só passou para o domínio municipal nos anos 70, quando grande parte do terreno foi arrendada entre empresas de construção civil. A parte do local transformada em parque foi batizada para homenagear o ex-governador de Sergipe, Augusto Franco.

Rua da Frente.

Embora o apelido da Avenida Ivo do Prado tenha caído no gosto popular, a explicação para sua origem é bastante técnica. De acordo com o professor e historiador Dênio Azevedo, a avenida, que no passado se chamava Rua Aurora, foi projetada para ser a principal rua da capital sergipana, elemento fundamental para o crescimento da cidade.
No projeto elaborado em 1855 pelo engenheiro Sebastião Pirro, a Rua Aurora - atual Ivo do Prado - seria a ‘rua da frente' da cidade e por muitos anos foi ponto de encontro da elite sergipana e marco no crescimento urbano. "Tudo teria que passar pela rua da frente, que seria uma ‘linha' importante no desenvolvimento, pelo fato de contornar o rio", explica Dênio.
O auge da avenida, porém, não durou muito. Logo começaram a surgir as primeiras fábricas no bairro Industrial, estimulando o desenvolvimento da cidade em outras áreas e descentralizando o foco de crescimento.

Maria Feliciana.

Construído em 1970, o Edifício Estado de Sergipe tornou-se referência histórica e imponente símbolo da ousada arquitetura da época. Com seus 96 metros divididos em 28 andares, o prédio foi considerado o maior do Nordeste até 1973, quando perdeu o título para uma construção baiana. Apesar disso, continua sendo o edifício mais alto de Sergipe.
O apelido de ‘Maria Feliciana' surgiu como uma justa e carinhosa homenagem à sergipana de mesmo nome, que com seus 2,25m é considerada a mulher mais alta do Brasil.

Avenida da Explosão.

Uma das avenidas centrais da cidade, a Avenida Edésio Vieira de Melo é pouco conhecida por esse nome. Em abril de 1980, um galpão clandestino de fabricação de fogos de artifício causou um terrível acidente que marcou a história da cidade e da avenida.
A forte explosão atingiu um raio de 10 quilômetros, deixando doze mortos e centenas de feridos. Segundo estimativas da época, mais de dois mil imóveis ficaram danificados com o impacto. O fato ficou marcado na memória da população.
A avenida já se chamou Cotinguiba, 24 de Outubro e hoje é Edésio Vieira de Melo, mas muita gente a conhece apenas pelo apelido de ‘Avenida da Explosão'.

Aribé.

Hoje um dos maiores bairros da Zona Norte de Aracaju, o Siqueira Campos ainda é muito conhecido entre a população pelo seu nome inicial: Aribé. A região era famosa pela grande produção de vasos de cerâmica - os aribés - e acabou sendo conhecida na cidade por conta do utensílio produzido.
Em torno de 1915, a Rede Ferroviária Federal chegou a Aracaju, com maior intensidade nessa área, acompanhada do surgimento de diversas oficinas para manutenção dos trens, trilhos e equipamentos ferroviários. Por conta disso, o local passou a ser conhecido também como Bairro das Oficinas.
Segundo o historiador Luiz Antônio Barreto, só depois da revolução de 30 é que a região passou a se chamar Siqueira Campos. "Depois do levante tenentista do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, Sergipe resolveu então homenagear um dos ‘18 do Forte': Antônio de Siqueira Campos", revela.

Bugio.

Também conhecido por ‘guariba' e ‘barbado', bugio é uma espécie de macaco típica das florestas tropicais, como a Mata Atlântica. Atualmente ele se encontra ameaçado de extinção, mas no passado, quando Aracaju dava os primeiros passos rumo ao desenvolvimento, o primata era facilmente encontrado na Zona Norte da cidade.
Além da densa vegetação, a área era cortada por um riacho que, por conta da grande quantidade de bugios existente, acabou se chamando riacho do Bugio. Com o tempo, toda a região passou a ser conhecida simplesmente como Bugio.
Embora o nome tenha se popularizado bastante, em 1978 o conjunto passou a se chamar Assis Chateubriand, homenageando o jornalista precursor da telecomunicação no país.

Baixa Fria.

Apenas os moradores mais antigos da cidade devem lembrar de como era, no passado, a área onde está situada atualmente a rua Rafael de Aguiar. De acordo com o professor Jorge Carvalho, o terreno era totalmente pantanoso. No lugar de largas avenidas, desde o ponto onde hoje é o posto de gasolina Aperipê II, até as proximidades do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), havia um grande pântano.
Aos poucos a área começou a ser aterrada para a urbanização, mas algumas áreas ainda eram bastante frias, principalmente à noite. Com o tempo, o apelido foi sendo esquecido, mas ainda há vestígios da antiga geografia. "Todos aqueles canais da região da Rafael de Aguiar, inclusive aqueles próximos ao Cefet, são remanescentes dos pântanos que existiam ali antigamente", conta Jorge.

Texto e imagens reproduzidos do site: archive.is/aiVc